AGROFLORESTA NO SANTUÁRIO DOS PAJÉS UNE TRADIÇÃO E ABUNDÂNCIA

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Cada vez mais “tem gente” (não! não vamos citar o nome e dar o nosso lindo e puro ibope para quem só fala besteira) ousando dizer que alimentos orgânicos fazem mal à saúde! Mas mesmo quem tá com o cérebro prejudicado de tanto comer salada com veneno sabe que essa afirmação não faz o menor sentido. Se agrotóxico fosse bom, nem se chamava agrotóxico, e não é mudando o nome do tóxico para fitossanitário que ele vai fazer bem à saúde – já ao bolso de “determinados sujeitos”, esta mudança deve estar fazendo um bem louco.

Na contramão de grupos que vivem de espalhar boatos e propagar mentiras – que aliás também mudaram de nome, batizadas em americanês de fake news, mas que continuam sendo a má e velha mentira – os povos originários fazem questão de comer vegetais de qualidade e, para isso, estão juntando seus conhecimentos consolidados por séculos de tradição com as técnicas testadas e aprovadas nos laboratórios da modernidade.

Um belo exemplo é o Santuário dos Pajés, que surgiu junto com Brasília, agregando três etnias de povos indígenas: Tapuya-Fulni-ôs, Guajajara e Kamuu Wapichana. Eles chegaram junto com os trabalhadores da construção da cidade, e fundaram a sua casa de rituais na região noroeste, onde, hoje, se trava uma disputa por terra com construtoras que desejam fazer condomínios para ricaços no local sagrado.

A avidez da especulação imobiliária, como de costume, avança sobre a cultura dos povos da mesma forma que sobre a preservação da natureza. A área da Terra Indígena Santuário Sagrado dos Pajés – Pajé Santxie Tapuya onde vivem cerca de 150 pessoas foi reduzida de 180 hectares para 32, e a riqueza em mananciais também sofreu redução do volume de água. Há um filme bem legal sobre o assunto: Sagrada terra especulada – A luta contra o Setor Noroeste, dirigido por José Furtado.

O primeiro vigilante do santuário, homenageado no nome do território, o pajé Santxie, montou um herbário fitoterápico misturando espécies que trouxe da Amazônia com outras, que encontrou no Cerrado. Assim, os povos do Santuário desenvolveram formas próprias de manejo agroflorestal na área: plantio de sementes e mudas, recuperação de áreas degradadas, transplante de espécies de um lugar para outro e proteção de certas plantas e árvores que possuem valor prático e/ou simbólico. Cada uma dessas espécies, inclusive algumas árvores de grande porte que ali foram plantadas há décadas, são como que documentos para os indígenas, isto é, constituem um tipo particular de registro de sua presença na área.*

Kamuu Dan Wapichana explica que agrofloresta nada mais é do que o que eles faziam nas roças de antigamente. Ah, e sem veneno ou organismos geneticamente modificados, tá? Assista o vídeo para saber mais.

*Laudo antropológico referente à diligência técnica realizada em parte da área da antiga Fazenda Bananal, também conhecida como Santuário dos Pajés, localizada na cidade Brasília, Distrito Federal, Brasil, concluído sob a coordenação do antropólogo Prof. Dr. Jorge Eremites de Oliveira, 2011

 

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luciana

Luciana Sendyk escreve. Livros (autorais ou de terceiros), textos, anúncios, sites, blogs, peças de teatro, projetos diversos e, especialmente, aqui no PorQueNão?.Sanitarista de formação, ecossocialista por opção e vegana por ideologia, feminista e engajada, o que não falta é tema para redação. Acredita que escrever é um ato político e que atuar pode transformar o mundo.

 

 

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