Muito além da maioridade penal

Você é a favor ou contra a redução da maioridade penal?

A grande maioria das pessoas já escolheu o seu lado. E aí começa a guerra: se você é contra, muito provavelmente não consegue compreender tamanha cegueira daqueles que são a favor; se você é a favor, possivelmente não entende tamanha ignorância daqueles que são contra. Não é comum um esforço para entender o outro. Não o resultado final de ser a favor ou contra, mas sim os motivos que levaram a pessoa a tomar essa decisão e, muitas vezes, a lutar por ela. O debate segue fervoroso em sua superficialidade dualista, enquanto as pessoas, menores e maiores, ainda matam, ainda morrem, ainda oprimem e ainda são oprimidas. As nossas certezas falam mais alto que a nossa vontade de ampliar nossa compreensão sobre o assunto. Todos perdem.

Convictos de que nós estamos certos e o Outro está errado, reduzimos o debate a uma competição. O que poderia ser uma troca saudável em que todos saem ganhando, vira um campo de batalha. Ignoramos o longo caminho percorrido pela outra pessoa, sua história única e, acima de tudo, o que está por trás de suas conclusões; o que dá base ao seu pensamento. Este último ponto é essencial, no mais puro sentido da palavra. A essência do pensamento é o que importa. Aliás a redução da maioridade penal é uma proposta que deriva de uma linha de pensamento; de uma concepção de mundo das infinitas possíveis. O debate será muito mais produtivo se sair da superfície do problema e nos levar a outros questionamentos.

É claro que assuntos “rasos” como esse devem ser discutidos – e deixo clara minha opinião contrária à redução -, pois eles afetam a vida de inúmeras pessoas. Nesse caso, em sua maioria, nas vidas de jovens em situação de risco sócio-econômico e naquelas da população que se sente ameaçada pelos primeiros. Porém, talvez estaria mais do que na hora de focarmos mais nas causas. De questionarmos não só o acesso à educação no Brasil, mas a qual tipo de educação. De questionarmos nosso sistema punitivo e carcerário. De tomarmos mais ações preventivas. De criarmos uma base social e cultural que torne tais debates obsoletos. De agirmos por alternativas mais humanas, tolerantes e integradoras, sem deixar o pragmatismo de lado. Como diria Thoreau Para cada mil homens dedicados a cortar as folhas do mal, há apenas um atacando as raízes.”

Augusto

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