Coletor Menstrual, Eis a Questão

Estou a mais de ano pra escrever sobre isso, mas sempre fico receosa pelos comentários preconceituosos. Tudo bem. Agora vai!

Há dois anos descobri a existência do coletor menstrual. Decidi então conversar sobre o assunto com as pessoas próximas a mim; a reação foi predominantemente negativa. “Aff” , “Que nojo!”, e por aí vai.

Um certo dia estávamos entrevistando o pessoal da Morada da Floresta e me deparei com o coletor na prateleira, olhando pra mim. Não resisti. Comprei.

O primeiro pensamento foi: “não vou contar pra ninguém. Vou me fazer de cobaia para ter argumentos consistentes”. Foi o que fiz. A primeira vez que eu usei, achei estranho. Não era possível que era pra sentir aquele negócio enquanto eu andava, sentava, vivia. Tirei e coloquei mais uma vez [musiquinha de salvação]. Realmente foi uma sensação de alívio.

O próximo passo foi contar prazamiga! Eu fiquei muito empolgada com o ótimo experimento e, para minha surpresa, acabei fazendo uma onda à minha volta. Hoje quase todas as minhas amigas também usam. Obrigada por acreditarem em mim, lindinhas <3

O copinho é um objeto transformador nas vidas das mulheres e para o planeta todo. Uma tecnologia que pode simplesmente eliminar toneladas de lixo desnecessário e trazer mais conhecimento físico feminino. Tá na hora de substituir o velho absorvente por algo mais limpo, ecológico e barato.

Como é uma coisa “nova”, tenho visto muitas dúvidas à respeito. Então decidi fazer um passo a passo para incentivá-las e também quebrar alguns tabus:

Formato V

Formato V

1. Primeiro de tudo, não tem nada de nojento! O sangue é seu, não existe odor porque está fora de contato com o ar e é lavar que tá novo.
2. Existem muitas marcas hoje em dia, mas não posso recomendar porque não experimentei todas.
3. Quando for comprar, verifique o tamanho de acordo com seu perfil. Normalmente o tamanho B é recomendado para mulheres que nunca tiveram filho ou com menos de 30 anos, já o A, para mulheres com mais de 30 anos ou que já tiveram filhos.
4. Na hora de colocar, dobre o coletor até ele formar um “V” e segure o no meio e vá colocando como se fosse um o.b (meninas, é muito importante que cada uma conheça seu corpo), mesmo para quem nunca usou absorvente interno, não tem problema. É só inserir o coletor de acordo com o “caminho” do seu canal. Não existe posição exata, aliás cada mulher é de um jeito. A dica é o cabinho, que não pode ficar muito lá para dentro para poder tirar;  também não pode ficar muito pra fora. Normalmente eu deixo onde eu posso alcançar com facilidade para tirar, lembrando que se estiver na posição certa, você não o sentirá (algumas mulheres até esquecem que estão menstruadas as vezes. Tome cuidado com isso também). Quando você se achar, a probabilidade de vazar é quase nula .
5. Pode ser difícil no começo, mas não se assuste e nem desista tão fácil. Tente sentada, deitada, em outras posições, já ouvi de tudo! Na minha opinião, é melhor sentada na privada mesmo.
6. Para tirar é só puxar o cabinho com o dedo indicador e o dedão. Como prefiro tirar na privada, já elimino o líquido na privada e lavo em seguida para poder usar de novo. O período de troca varia, mas dá para durar bastante mesmo, tem mulheres que trocam de 12 em 12 horas.
7. Ao final do ciclo menstrual, sempre ferver para higienizar e guardar de forma correta. Não use panelas de alumínio nem de teflon, pois elas soltam substâncias metálicas que podem danificar o silicone.

Porque usar?

  • Carrinho Supermercado absorventeDurante a vida, uma mulher usa, em média, mais de 10 mil absorventes descartáveis, seja ele externo ou interno. O externo leva 100 anos para se degradar na natureza, enquanto o interno leva até um ano.
  • Por ano, a mulher gasta cerca de R$100 com absorventes. Em 10 anos, ela terá gasto R$1 mil. Então a economia é no mínimo de R$915 em dez anos.
  • É mais confortável.
  • Aumenta o autoconhecimento corporal.
  • Muito mais prático.
  • Não fica com o odor forte do absorvente normal.
  • A probabilidade de vazar é muuuito menor.
  • 60% das mulheres relataram melhora da candidíase.

Experimenta que é só alegria!

Escrito por Viviane Noda. Cofundadora do Projeto PorQueNão?

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