A cooperativa do MST que transformou o Brasil no maior produtor de arroz orgânico da América Latina

Estávamos subindo o Rio Grande do Sul em direção a Porto Alegre e decidimos passar em Tapes-RS para visitarmos a Coopat, uma cooperativa do MST – Movimento dos Sem Terra (arrepiou? Calma amigo, eles são do bem, sério). No primeiro momento, já nos reunimos para apreciar um chimarrão e nos conhecer. Quando a recepção é natural, sentimos que a iniciativa fica mais bela ainda.

Dentro da cidade se formou o assentamento Lagoa do Junco do MST em 1995. Hoje moram cerca de 90 pessoas numa vila muito bem organizada, decorada com flores e som dos pássaros. A cooperativa surgiu logo depois, em 1998. A importância de trabalhar coletivamente está enraizado na cultura local. Com o passar dos anos (como muitos outros relatos que encontramos pelo Brasil), eles tiveram uma experiência bem assustadora com o uso de agrotóxicos. Um dos agricultores caiu no chão, tonto, escorrendo sangue pela boca e então começou uma nova era por aqui. Acabou essa história de veneno, agora 100% da lavoura é orgânica. Hoje a Coopat trabalha com 400 famílias assentadas do Rio Grande do Sul que formam a maior marca de arroz orgânico da América Latina: Terra Livre. Totalmente produzida em assentamentos de Reforma Agrária.

Contrariando o que rola no senso comum, a grande maioria(pra não dizer todos) é formada por trabalhadores. Acordam cedo, têm família, pagam contas, produzem arroz orgânico que não envenena ninguém e nem a terra. São pessoas simples que sempre nos recebem de braços abertos. Aqui não foi diferente.

O encontro foi lindo. Mais lindo foi receber a informação de que os principais clientes deles são prefeituras que usam o arroz na merenda escolar.

É isso: as crianças que estudam em escola pública estão se alimentando com arroz (entre outros produtos) orgânicos. Maravilha!

Que a produção agroecológica, cooperativa e familiar continue crescendo e tomando o espaço que hoje é da indústria “convencional”, aquela que está destruindo a vida e o ambiente de muitas pessoas e animais!

Saímos de lá cheio de presentes como bolachas, pães, queijos e TRINTA kilos de arroz integral orgânico! Tudo feito ali mesmo. A partir daí, sobrevivemos meses trocando arroz por outros produtos na estrada, mas aí já é outra história…

Assista a entrevista:

Arroz sem veneno nem fertilizantes químicos, vulgo NATURAL: como foi cultivado por MILHARES DE ANOS... mas há uns 60 anos inventaram de começar a tacar venenos extremamente nocivos para matar formas de vida indesejadas à produção. Não imaginavam que isso nos traria MUITOS problemas... mas aos poucos a gente vai entendendo e voltando pra uma agricultura mais bonita.

Arroz sem veneno nem fertilizantes químicos, vulgo NATURAL: como foi cultivado por MILHARES DE ANOS… mas há uns 60 anos inventaram de começar a tacar venenos extremamente nocivos para matar formas de vida indesejadas à produção.
Não imaginavam que isso nos traria MUITOS problemas… mas aos poucos a gente vai entendendo e voltando pra uma agricultura mais bonita.

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Máquinas de beneficiamento do arroz: infelizmente o "mercado"(vulgo as pessoas hehe) ainda preferem o arroz branco ao integral. No arroz branco a parte mais rica do arroz fica para trás, sobrando só o carboidrato(o miolinho do grão)

Máquinas de beneficiamento do arroz: infelizmente o “mercado”(vulgo as pessoas hehe) ainda preferem o arroz branco ao integral. No arroz branco a parte mais rica do arroz fica para trás, sobrando só o carboidrato(o miolinho do grão)

Da lavoura ao ensacamento: tudo feito por aqui mesmo. Economia de energia e custos.

Da lavoura ao ensacamento: tudo feito por aqui mesmo.
Economia de energia e custos.

Se não é divertido, não é sustentável. Um brinde ao trabalho e a boa recepção, com direito a muitos sorrisos.

Se não é divertido, não é sustentável.
Um brinde ao trabalho e a boa recepção, com direito a muitos sorrisos.

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