Crianças vão ás ruas por educação de qualidade em SP

Crianças da escola EMEF Amorim Lima vão às ruas de São Paulo por educação de qualidade.

De um lado, os professores, em greve contra a reforma da previdência dos servidores – além da eterna luta por condições mínimas de trabalho e sobrevivência. Do outro, o estado, que não quer ‘gastar dinheiro’ em educação quando tem ‘outras prioridades’ em que investir os recursos. No meio deste cabo de guerra, quem está? As crianças, é lógico. As famílias que dependem de ter seus filhos na escola para que recebam educação e, também, para que as mães tenham onde deixar os pequenos enquanto vão trabalhar (cabem algumas perguntas: porque as mães faltam ao trabalho quando há greve nas escolas, e não os pais? Ah, é porque eles ganham mais. E por que eles ganham mais?)

A greve já dura duas semanas, e as famílias decidiram de que lado estão: foram em caminhada de protesto junto com os professores até a Câmara Municipal de São Paulo, carregando faixas com dizeres como ‘Mais escola menos Dória’. Mães, pais, professores e muitas, muitas crianças. Afinal, elas são as maiores interessadas em receber educação de qualidade. Nada mais justo do que a participação delas, que serão a geração que vai refletir o ensino que está sendo gestado agora.

Os acusadores de plantão não demoraram a acusar o movimento (que apanhou feio da polícia municipal na semana passada) de usarem as crianças como escudo para não apanhar de novo. Aqui, cabem mais algumas perguntinhas: errados estão eles que não querem apanhar mais, ou quem usa a força contra indivíduos indefesos protestando pelos seus direitos? As famílias devem ficar quietas em casa como se educação não fosse um direito delas, assegurado pela constituição do país? E a mais importante das perguntas: o que você pensa disso, e por que?

 

Fotos de Rogério Zila 

 

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luciana

Luciana Sendyk escreve. Livros (autorais ou de terceiros), textos, anúncios, sites, blogs, peças de teatro, projetos diversos e, especialmente, aqui no PorQueNão?.Sanitarista de formação, ecossocialista por opção e vegana por ideologia, feminista e engajada, o que não falta é tema para redação. Acredita que escrever é um ato político e que atuar pode transformar o mundo.

 

 

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