Favela Orgânica faz comida deliciosa com cascas e talos e ensina comunidade a respeitar os ciclos da natureza

Aproveitamos a TFF no Rio de Janeiro para visitar o Favela Orgânica

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A FAVELA ORGÂNICA DE REGINA TCHELLY

Texto de Juliana Rangel, da Aborda

Você sabe quanto tempo demora pra uma bananeira crescer desde a semente até nascer um cacho de bananas? Sabe quanto tempo leva pra uma banana chegar até o cesto de frutas da sua casa?

O Favela Orgânica trabalha com todo o ciclo do alimento, procuramos entender e ensinar todo o processo das plantas. O objetivo é saber diferenciar o que a gente realmente precisa do que é exagero ou desperdício, tanto na alimentação, quanto em todos os segmentos do consumo.”

Regina Tchelly é a fundadora do Favela Orgânica, um projeto social no Morro da Babilônia que ensina crianças e adolescentes conceitos como consumo consciente, gastronomia alternativa, compostagem caseira e hortas em pequenos espaços.

Nascida em Serraria, no interior da Paraíba, chegou ao Rio de Janeiro trabalhando como empregada doméstica, e enquanto fazia as compras da casa, percebia a enorme quantidade de alimentos desperdiçados nas feiras e mercados da cidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lá na Paraíba era comum aproveitar as cascas. O que a gente não comia, dava pros animais, e o que não dava pros animais, virava adubo. Aqui na cidade é muito desperdício, muita mistura de plástico, lata… quando eu notei isso, decidi que precisava fazer alguma coisa”
Regina Tchelly

Chegou a fazer curso de gastronomia profissionalizante, mas largou tudo para ensinar as crianças e adolescentes da Babilônia a cozinhar. Seus alunos sempre diziam que ela cozinhava com tanto amor, que era isso que dava sabor à comida. Mas quando viu um dos meninos descer a rua com uma arma na mão, percebeu que precisava fazer mais. Ligou pros amigos e começou a expandir suas aulas para um projeto interdisciplinar, no qual pudesse acolher pessoas e mudar a realidade a sua volta.

Em 2016, Regina ganhou o Prêmio de Mulher do Ano na Itália, e com o dinheiro investiu em um espaço dentro da comunidade, que é onde mora e onde quer fazer diferença. Hoje, o projeto tem 7 anos e está crescendo cada vez mais, com aulas de artesanato e yoga. No semestre anterior tiveram 75 alunos, e no próximo querem expandir pra 100.

O nome Favela Orgânica serve para mostrar que na favela tem muita gente fazendo acontecer. Orgânica pela forma de organização de vida, de pensar com cuidado no próprio consumo e como isso afeta o planeta. Porque os alimentos têm um ciclo, e esse ciclo orgânico precisa ser respeitado.

O projeto não usa só alimentos orgânicos, mas a cada dia Regina vem criando laços mais fortes com os produtores, trocando conhecimentos e receitas. Hoje já tem parceiros como o Vale das Palmeiras e a Feira Livre da Essência Vital.

Regina diz que já estamos acostumados com o consumo desenfreado e toda a correria da cidade. Que precisamos parar, porque não é o mundo que está correndo, somos nós. Não enxergamos mais o tempo, as necessidades das pessoas, e muito menos os produtos que consumimos.

A comida saudável é simples e não é cara. Caro é gastar o dinheiro em remédio e consultas médicas depois de se alimentar mal. A comida saudável é saber da onde ela vem e pra onde ela vai. Comida é afeto, transformação, é um ato politico.”

Este mês, no dia 4 de agosto, o Favela Orgânica estará na Ladeira Ary Barroso, no Leme, apresentando seu cardápio sazonal. Pra quem quiser conhecer essa e outras personalidades incríveis desse projeto, é só clicar no botão aqui embaixo e saber mais sobre esse evento:

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Lembrando que a missão do PorQueNão? é divulgar conteúdos riquíssimos como esse. A gente acredita que a transformação vem através de bons exemplos, e para continuar trabalhando com um time incrível mais os equipamentos e deslocamentos necessários, contamos com você. Conheça a nossa campanha de financiamento (https://apoia.se/porquenao)

 

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