Por que precisamos evitar os rótulos?

Eu prefiro enxergar todas as pessoas juntas, não divididas em compartimentos

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Prefiro as pessoas do que as bandeiras.

Esses dias parei pra pensar na importância dos rótulos no dia-a-dia. O ser humano desenvolveu técnicas incríveis de comunicação e, durante esse processo, fomos nos encaixando em grupos. Vegetarianos, punks, hipsters, cientistas, brasileiros, paulistas, cariocas, artistas e por aí tendendo ao infinito.

Junto com os rótulos vem a responsabilidade de manter as características intrínsecas a cada um. Desde que me envolvi no meio alternativo sócio-ambiental, me denominei ambientalista, vegetariana, permacultora, adepta dos alimentos orgânicos, da comunicação não violenta…

E com o passar do tempo comecei a perceber o incômodo de algumas pessoas ao meu redor pelas bandeiras que levanto. Todo vegetariano ou vegano sabe a preocupação que é chegar pra almoçar na casa de alguém que não convive com herbívoros. O engraçado é que em momento algum quis tratamento especial, posso comer só arroz com feijão com o maior gosto possível. Mas não acaba aí.

Já presenciei e participei de discussões sobre a escolha alimentar de muita gente. Foi aí que me dei conta de que a cada bandeira que eu levantava, consequentemente levantava uma barreira. A certeza é inimiga da evolução.

Então surgiram algumas situações para me colocar mais ainda contra a parede. Eu, toda vegetariana há anos, me encontrei numa vila de pescadores bem simples, e eis que surge a questão: comer peixe pescado ali na hora com todo o respeito de uma comunidade caiçara ou legumes e verduras vindas do CEAGESP lotados de agrotóxicos?

Uma bandeira se misturou com a outra e eu fiquei sem saída. Mas, pensando bem, se a minha luta é pelo meio ambiente e pela paz nas relações sociais, fica simples decidir. É muito mais benéfico para o mundo e para meu corpo comer alimentos locais e o mais naturais possíveis, independente de barreiras. Comi o peixe na folha de bananeira e fiquei mais próxima das pessoas que moravam ali pelo simples fato de compartilhar o alimento.

O que seria a vida sem socialização? Como eu entenderia a cultura local sem dividir os sabores?

Então veio uma luz!

O amor pelas pessoas vai muito além de qualquer rótulo e qualquer ideologia. Se o mundo ideal é aquele em que podemos ser nós mesmos e compartilhar carinho, quem sou eu pra julgar as atitudes de cada um? Para criar pontes entre as pessoas, precisamos abrir mão do EU (si-mesmo) e se deixar afetar pelas relações. Isso é enxergar o humano que existe no outro e viver em comunidade.

Continuarei amando meus amigos que não vivem os mesmos ideais que eu. E se por algum acaso chegar aquele momento de questionamento, estarei aqui para conversar e dar todo o apoio possível para mudanças.
Enquanto isso vivo meus dias sem me encaixar em lugar nenhum ou me encaixando em todos. No final dá na mesma.
Amemos uns aos outros sem qualquer restrição.

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viviane Noda(*) Viviane Noda é empreendedora social, comunicadora e cofundadora dessa mídia interdependente. 

Formada em administração com ênfase em marketing pela ESPM e especializada em Negócios Sociais pela ideologia Yunus, ela acredita que divulgar bons exemplos seja o respiro necessário para dar fôlego na caminhada de um futuro melhor.

Além de escrever, editar, filmar e coordenar, também dá consultoria de comunicação.

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Lembrando que a missão do PorQueNão? é divulgar conteúdos riquíssimos como esse. A gente acredita que a transformação vem através de bons exemplos, e para continuar trabalhando com um time incrível mais os equipamentos e deslocamentos necessários, contamos com você. Conheça a nossa campanha de financiamento (https://apoia.se/porquenao)

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