Tomate criado pela Embrapa é rico em antioxidantes, orgânico, produtivo e delicioso

A MELHOR RESPOSTA A QUEM (AINDA) DEFENDE O USO DE AGROTÓXICOS E SEMENTES MODIFICADAS É O SABOR DELICIOSO DO TOMATINHO CEREJA TURBINADO

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Eles são doces, coloridos, firmes, crocantes e nutritivos, além de 100% brasileiros. Morder um BRS Zamir é uma experiência sensorial deliciosa – e como se não bastasse, é quase como tomar uma gota da fonte da juventude graças à abundância de antioxidantes. Os tomates cerejas turbinados criados pelos cientistas da Embrapa Hortaliças, ainda por cima, têm uma imensa vantagem: eles derrubam a tese de que os organismos geneticamente modificados (OGM) e os agrotóxicos (conceitos que andam de mãos dadas, aliás: continue lendo para entender melhor) são a única saída para alimentar um planeta com recursos limitados e crescimento populacional exponencial.

O licopeno é uma substância antioxidante muito eficiente em combater radicais livres, aqueles compostos que têm nome de agentes da utopia mas na prática o que fazem é transformar o oxigênio que respiramos em momentos a menos sobre a terra. Sim, são eles que causam o envelhecimento das células e, portanto, do corpo todo. Todos os tomates têm licopeno, que diga-se de passagem é um poderoso anticancerígeno, mas em geral têm também muito veneno que foi usado como agrotóxico. É fácil imaginar que a casca fininha do tomate não oferece barreira que se preze aos tais “fitossanitários”, vulgarmente conhecidos como insumos agrícolas, venenos ou agrotóxicos. Mas o BRS Zamir é orgânico; e têm três vezes mais licopeno: de 110 até 144 microgramas por grama de fruto (µg/g) – o normal é de 30 a 90 µg/g.

Para os agricultores, a variedade desenvolvida pela Embrapa em parceria com a empresa Agrocinco é um achado por apresentar ótima produtividade, com mais frutos por penca do que os tomates comuns. Para criar os híbridos, os cientistas observaram plantas com bifurcação dos cachos do tomateiro, e selecionaram materiais com o gene dessa característica. Também, escolherem plantas com boa capacidade de adaptação à altas temperaturas, que são as mais comuns nos polos produtores. E pensando nos consumidores, criaram um fruto repleto de antioxidantes, e com um ótimo equilíbrio entre açucares e ácidos – é como morder uma uva.

Você acabou de ler a explicação de melhoramento genético convencional: por cruzamento entre linhagens selecionadas, é possível desenvolver frutos o mais próximos possível da perfeição.

E é aqui mesmo que queremos chegar: o BRS Zamir é resistente à pragas e doenças (como pinta-bacteriana, requeima e oídio, que impede a fotossíntese), além de tolerante à mancha bacteriana e viroses. Cada cacho tem até três vezes o número de flores e, por consequência, de frutos, em relação ao tomate cereja comum. E também três vezes mais licopeno. Tudo isso porque é fruto de cruzamentos seletivos. É como você escolher um parceiro ou parceira bonita pensando em ter filhos lindos (dica: não faça isso). Os organismos geneticamente modificados, também chamados de transgênicos ou mais popularmente Frank (de Frankstein, mesmo) são, ao contrário, resultado de genes que são isolados após removidos de uma espécie e injetados, no laboratório, em outra. Tipo célula de boi com tomate, o famigerado Boimate, hamburguer com gosto de ketchup, pegadinha na qual a revista Veja já caiu – mas, se os jornalistas acreditaram é porque não parecia totalmente inverrosímil, frente às invencionices genéticas que aconteciam, concorda?

Bom, no romance de Mary Shelley o personagem Frankstein, na verdade, era o médico; o monstro sequer tinha um nome. Na nossa moderna história de terror que se tornou o agronegócio, também: os protagonistas dos alimentos são os cientistas malucos e os frutos – e nós, os comedores – somos apenas atores do show de consumismo desenfreado. Os OGM são resistentes aos agrotóxicos que, coincidentemente, nascem nas mesmas indústrias químicas/farmacêuticas que produzem as sementes transgênicas. Então, nas grandes propriedades rurais, os venenos podem ser aplicados generosamente sobre as plantações, sem danificar os frutos. Mas, como você já sabe, as bactérias e os vírus são seres totalmente apegados à sobrevivência e, com o tempo, desenvolvem resistência aos venenos, fazendo assim girar a roda de um círculo vicioso no qual cada vez são necessários mais remédios, mais melhoramentos genéticos, mais intervenções na natureza e mais, muito mais lucros para os fabricantes.

Mas ainda não acabou: pois temos mais uma coisa linda a dizer sobre os tomatinhos híbridos da Embrapa: eles são especialmente adequados à agricultura familiar. O custo das sementes é cerca de 30% mais baixo do que os convencionais. E, ao contrário do agronegócio, o pequeno agricultor não foca no tamanho ou calibre dos frutos; o lance dele é o número de frutos por penca. Uma área pequena e uma estrutura de cultivo reduzida, sem nenhum agrotóxico ou adubo químico, são suficientes para obter uma produção vigorosa e saudável.

Não é uma coisa linda?

Foto: BOITEUX, Leonardo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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luciana

Luciana Sendyk escreve. Livros (autorais ou de terceiros), textos, anúncios, sites, blogs, peças de teatro, projetos diversos e, especialmente, aqui no PorQueNão?.Sanitarista de formação, ecossocialista por opção e vegana por ideologia, feminista e engajada, o que não falta é tema para redação. Acredita que escrever é um ato político e que atuar pode transformar o mundo.

 

 

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